sábado, 30 de junho de 2007

A Mina perde os musicos...


Pois é, nestes dias a "mina" será um pouco menos produtiva, afinal são muitos os "mineiros" que vão ao serviço da nosssa banda até Valadares, V.N.Gaia. Serão 3 dias de festa com outras bandas e nas quais, claro, tentaremos ser a banda melhor.

E a "mina" fica assim sem o João Farpudo, Vitor Turbinas, Gattuso, eu, o Telmo, o Nuno, o Paulo e outros que por ventura passam lá volta e meia...mas não faz mal, a gente vai aparecendo a altas horas para o cafézinho reconfortante e também, no caso de alguns, matar as saudades do espaço...

Hoje já não tenho muito espaço de tempo para postar aqui, ontem os "mineiros" musicos foram dar um concerto a Viseu e chegamos eram quase 5 da manhã e agora ás 15 horas lá vamos nós de novo.Mas eu volto aqui mais logo quando o meu corpo chegar aqui cansado da festa, cansado mas com um objectivo: vir aqui á mina "mictar" letras e palavras.

Até já pessoal.



PS A foto deste texto é a tal fita manhosa que faz de mim um armante...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A vez da sobriedade absoluta



Ontem vazei, saí, acabei por aceitar um convite para ir ver Joe Satriani que confesso nem vi porque me quis divertir no recinto (comprei uma fita para o cabelo, tipo "armante"e mais uma carteirinha fixe para oferecer ao Kiev, amaricada uma vez que tinha umas cenas cor-de-rosa mas ele confessará que é de uma utilidade...). Antes disso fui ás compras ao Vasco da Gama e comprei umas calças, uma prendita para um amigo (F.Sousa) e 2 casacos de capuz para mim. Ah, também quis comprar o "Chromme Azzarot" mas não vi (sabes para quem é a boca, não sabes, oh Maradona) e acabei por comprar um D&G versão obviamente masculina.
Jantei, em pleno Parque das nações um Spaghetti al Carbonara que me soube pela vidinha e depois paguei, e saí.Ninguém de nós sabia onde era o recinto e então lá perguntamos. - Ai e tal, é ja ali, 20 minutos a pé, mesmo debaixo da ponte Vasco da Gama- disse o bufo que me fodeu bem, pois andei, andei, andei, e passado uma hora e dez lá cheguei ao recinto.
Seca, milhares de pessoas para entrar, ja eram quase 20 horas e ainda havia milhares de "festivaleiros" cá fora, alguns pareciam "mineiros" tal era o grau de sobriedade que apresentavam.Passados 45 minutos lá cheguei á revista policial, que me queria apreender os medicamentos, era um policia velho e que já estava naquela de até me tirar a tampa da garrafa da água que levava para tomar as pastilhas (não, não eram psicotrópicas tipo ecstasy).
Duzentas e tal torneiras de Super Bock e eu não poder matar a sede...mas teve que ser.
Bem, agora como descrever um ambiente onde se vê de tudo? Era só charros a passar de mão em mão, gajas bêbadas a chamar o velho Greg, gajos a lamberem-se na boca e eu ali, na minha e a pensar na "Mina".Fui com 3 gajos jogar matraquilhos e lá acabou o Joe Satriani.
Metallica.Sinceramente não esperava tanta qualidade por parte desse grupo alemão.A viagem foi de comboio, e embora não possam acreditar, não ingeri qualquer gota de alcool, apenas um Red Bull porque estava a ficar ensonado e 3 cafés. Pensei que não iria gostar de um grupo que até nem me diz muito, mas sinceramente, fiquei a gostar porque demonstraram um profissionalismo, um som quase de estudio e acima de tudo, souberam ter a plateia na mão, deliciando-nos com não um, mas dois "encores" ou seja, depois de terminarem ainda voltaram duas vezes e aí deram-nos o "Unforgiven" 1 e 2 , "One" e o "Nothing else matters".
Liguei aos "Mineiros" para ouvirem o ambiente e para lhes dizer que estava bem e a curtir até mas também já era tarde.O Andrezito ainda atendeu e ouviu o som...sentiu o gostinho especial que eu estava a sentir.
E a festa acabou, a procissão de mocados e abananados, borrachos, sóbrios (eu e alguns poucos) realizava-se agora de volta á Gare do oriente, que de um momento para o outro se tornou mais uma vez como que um grande albergue para os sem-abrigo improvisados.É aqui que vale a experiência, da noite fria se fez quente, porque ao abrir a mochila saltaram casacos e camisolas enquanto outros corpos iam perdendo alcool e arrefecendo, eu ía aquecendo e dormindo descansado o sono do guerreiro.
Por fim o comboio de novo, viagem toda a dormir e para trás uma noite inesquecivel, pois não me lembro de estar tão sóbrio num concerto desde que o José Cid veio uma vez a Rio de Moinhos...mas isso já foi no tempo do Sumol só ao domingo.
E ontem a "mina" não me deu aquele vapor mais uma vez, que cala a dor e a tristeza e a transforma em culto e cumplicidade com os amigos mais necessitados.


PS.Obrigado Kiev pelo teu comentário, são palavras como essas que fazem crescer o coração e querer agarrar os amigos com as duas mãos como se estas fossem fortes, macias, como as garras de um corvo.Hoje de negro? Vem á "mina" e leva cor.Obrigado Kiev

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Fraco


Hoje não fui á "mina"...hoje simplesmente fechei-me em mim e caí.Dei por mim caido no chão, com a minha mãe a chorar e o meu pai a tentar erguer-me.Lembro-me vagamente de ir na ambulancia para o hospital...Sou assim tão fraco?

Confesso que deitado na maca das urgencias chorei, chorei por estar a obrigar o meu pai e a minha mãe estarem ali, preocupados, á seca, e eu ali, sem forças e a levar soro.Tiraram-me sangue, as analises estavam boas e o sangue com indices bons, mas claro, apresentei dose exagerada de medicação e aterrei.Pensei na "mina", queria lá ter estado, queria estar com os amigos, mas antes disso perdi a consciencia.

Eu sei que falhei, sei que posso sempre contar com os "mineiros" do costume, mas hoje nem ao trabalho cheguei, nem vi a entrada da "mina" sequer.

Tou baralhado, nem sei porque estou a escrever este texto derrotado aqui, mas bolas, assumo, tive saudades da "mina" e do pessoal da "mina", vontade de estar com o Miguelito e o Kiev pois precisam de amigos a sério, que os ouçam, precisava do abraço do Filipe Sousa e do café do costume.

Eu sei Filipe, estás desapontado e muito triste comigo, desiludido até, mas acredita, não fiz nada prepositadamente.Filipe, és o meu melhor amigo e só peço que amanhã não me maçes a cabeça porque este dia é para esquecer, é para não contar.Apenas te peço desculpas por te desiludir, quero contar sempre contigo do meu lado, agora e quando voltar a ser aquele Joca que conheceste um dia.

Aos outros "mineiros" amigos também peço desculpa, hoje não piquei o ponto e a viola ficou muda e aposto que a "mina" não teve aquele brilho cultural que eu e o Filipe lhe emprestamos quando de viola em punho enevoamos o ar com acordes e ressonâncias.E não estou a armar-me...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Segunda-feira


Ontem entrei no café como sempre...Vindo da rua, entrando debaixo do arco de telhas fui-me apercebendo que este estava já quase vazio, ou vazio.E lá vinha eu com a viola ás costas, preparado para o que desse e viesse e fiquei estarrecido quando não descobri as caras de quem esperava ver.Cheguei demasiado tarde e como tinha prometido estar junto a uma amiga que solicitou a minha presença porque se estava a sentir mal, fiquei mesmo desolado.
Ao balcão o Kiev sozinho acompanhado da sua solidão e da sua habitual tristeza...quem o viu e quem o vê.Que fazer? pensei...
Fiquei sentado a ver o fumo do cigarro subir e desaparecer mais acima, misturando-se com o ar respirável.Sempre que a porta se abre entra gente e sai fumo, esvoaça porta fora.Que tédio, penso eu, as segundas-feiras são uma seca tremenda, anda tudo a descansar dos dias cansativos dos dias que supostamente seriam para descansar.Senti-me deslocado, triste...prometi estar cá com a viola porque me pediram. Desculpa miuda, falhei-te e tu nunca me falhaste desde que caí.
Vim juntar-me ao Kiev, falar com ele, saber o que o mudou tanto, saber quem lhe mudou as feições que antes eram alegres e agora se traduzem em tristeza.Talvez lhe fizesse falta aqui com ele o Miguelito.Bah, que se lixe.Saiam 2 Safari para animar, e depois saltem mais 2 que isso não faz mal e nem chateia.
A noite termina de forma que considero anormal, eu a ficar sozinho sentado nas escadas ao lado do café, procurando desenhar o caminho pelo qual meus passos haveriam de seguir para me conduzirem a casa.Por acaso arranjei boleia para os 50 mts que me distanciam da mina até ao repouso dos meus restos mortais que ainda respiram.
A Mina não tendo mineiros, os mineiros do costume, fica tipo as minas do Pejão, negras, tristes, abandonadas mas a paz e a tranquilidade mantêm-se.
Aqui curam-se doenças e poucos sabem, aqui a solidão esvai-se na troca de olhares com alguém, aqui as depressões não contam para nada porque como diz o Jorge Palma " não há prisões nem hospitais e cada um tem de tratar das suas nódoas negras sentimentais".Poder-se-á aplicar aqui a letra.
O café de sempre ficou ontem para trás...até o Bruno foi embora mais cedo que os mineiros...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Café...


Cheira a café, cheira tão bem.
Entro, sento-me no lugar de sempre desde que vazio. Naquele café, o mesmo café.
O da rua de baixo.
Olho para as pessoas.É meio da tarde, passam com um ar melancólico.
Com stress de rotina.Será que essas pessoas já pararam para sentirem o cheiro do café?
Será que já se sentaram para falar de treta, de nada e de tudo mas sempre coisas que nada nos ensinam?
Agora eu paro no meu lugar e virão os meus amigos, o café vai encher e sem grupos dir-se-ao coisas que nos fazem sorrir.Sorrir.Rir feitos parvos.Algumas, até chorar.
No Conforto confortavelmente sentado. Deito o açúcar. Fico a enrolar o papel do pacotinho de açucar (dos outros não sei enrolar)
Agora era o momento do alvo, olho para a máquina de setas...quem me dera saber jogar aquela merda e não tenho habilidade nenhuma para a porcaria das setas e vejo lá gajos e gajas a jogar aquilo com mestria que até os invejo.
Depois lembro o café á minha frente. Mexo-o, gosto de ficar a mexer, mexer, mexer.
Num raio pequeno e vigorosamente. [sim eu sei, já aprendi a mexer num raio maior].
E agora eis que chegam as minis.São umas a seguir ás outras. Respiro fundo. Não agora não, não. Fogo ao menos deixa-me beber o café e apetece-me tanto uma macieira que dá vontade de vir a casa bebe-la só para que o Bruno , Miguelito, Andre, Filipe não me lixem a cabeça porque "ai e tal faz-te mal agora"
Pego no jornal… bem é agora, tem que ser. Preciso de ler. Abro. Arrisco a abrir. Leio a primeira noticia.
Olho para a frente, já estão a cuscar, preciso tentar ouvir, preciso tentar contar.
Mais uma vez fico sem ler o jornal. Ali no café gosto de estar mas ter tempo de ler o Jn e O Jogo mas nem tenho tido lucidez para isso.
Olho para o espelho. Sempre diferente. Tento identificar-me… hum. Parece-me familiar.
Fico mais um bocado. Ali o tempo passa demasiado rápido. A voar….
Tenho que ir buscar a merda da viola -Filipe, vai buscar a tua viola- peço eu ao amigo.
E tocamos e cantamos...até amanhã, voltaremos mais as violas.