segunda-feira, 30 de julho de 2007

Obrigado


Venho aqui hoje com plena disposição de vos agradecer, mineiros, algo que fica gravado na minha memória...Foi um aniversário porreiro por ter festejado ao lado de alguns familiares, mas também por ter recebido centenas de lindas e carinhosas mensagens de amigos, amigas, colegas, militantes de causas diversas e a melhor parte a que me quero referir aqui neste espaço: A mina á meia-noite a cantar os parabens (curiosamente afinadinhos e certinhos) mas depois, lambões, mamaram-me uma grade de cerveja assim, num abrir e fechar de olhos. Os homens portaram-se bem a cantar mas as mulheres não ficaram atrás.Contei apenas 3 mas chegaram para ser afinadinhas, Telma, Alcina e Daniela Jardim...Não disponho de tempo para agradecer individualmente a todos - como gostaria -, mas o faço de forma colectiva, dizendo: obrigado, amigos! É bom tê-los ao meu lado mas desta vez não há grade de minis pa ninguém, nem sequer um "pesseguinho" para esse pseudo-anti-alcoolico que anda por aí e que se dá pelo nome de Kiev, fulano caricato e mecambuzio de quem estranhamente gosto muito, mas muito mesmo.Até me atrevia a dizer que não me importava que fosse meu irmão.Mas pronto, tê-lo como amigo, assim como ao Filipe, Miguelito e o resto dos "armantes" já é bom.Meus caros amigos, obrigado pela grande festa de segunda passada. Estava toda fresquinha a cerveja.Diverti como ja há muito não me divertia.
Agradecimentos especiais para:- Minhã mãe, que se empenhou durante o dia 24 á tarde a fazer petiscos (devidamente exterminadas durante a festa) e que fez tudo sozinha.- Alcina, Tela e Miguelito pelas horas de riso na capela até ás tantas-Leandro, Filipe, Patricia, Telma,Alcina, Kiev Miguelito e Cristina por terem estado comigo nessa tarde.-Obri...bri...gado Bruno por por nos aturar...rares a todos durante 365 dias por ano-Á Beta por nos aturar-Ao Kiev por existir durante a tarde mas que ninguem viu de noite...Também me vi fodido, pá.Aqueles pesseguinhos do adro em fermento

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Amanhã

Coyote em Jan de 75


Estado do tempo: cinzento
Estado da alma: fria
Corpo: com resistência
Assitencia: alguns mineiros que ainda perdem tempo a ler diarreias mentais
O que eu penso sobre isto: isto está a correr mal!
O que eu tento pensar ainda: isto vai melhorar!


Quando amanhã forem 08:30 da manhã, farão 33 anos que a minha mãe deu á luz esta besta que vos escreve e vos aborrece com esta merda de blog que existe apenas por devoção a um espaço que eu julgo que me mereçe.Não merece pior nem melhor que eu, apenas me merece também. Quando essa hora chegar o despertador irá tocar e eu vou ligar á minha mãe para lhe lembrar as dores que ela sentiu quando logo pela manhã desse dia 24 de Julho de 74 eu senti a vontade de sair cedo de dentro dela.Sentia que a ditadura tinha acabado e que o Salazar já se havia retirado e escolhia assim nascer para ser livre, ser livre de escrever e de falar, ser livre pensar e de actuar, sem censura nem Pides nem medo a Caxias nem ao raio que os partam a esses tempos já idos.
Não consigo imaginar a dor que causei nessa manhã, nesse dia, mas acredito que a dor de o ventre a ser rasgado por uma peça como eu não deve ser lá muito bom.O que vale é que nasci fraquito e pequenito, saí "pelo próprio pé". Não dei sinais que viria, já aí fui avesso a horários e cumprimissos. Vim sem avisar e sem combinar o que ainda hoje se mantêm em mim.Ou quase se mantêm, porque os planos que faço esvaiem-se sempre daí que tenha voltado á versão original e não prometa nem planeie nada, o que acontece será bom, ou mau, depende da forma com que o olhe.
O meu irmão, certinho e tal lá foi dando uns biqueiros a anunciar em 72 que a hora dele estava a chegar.Lá foi a mãe para o Hospital de Paredes dar á luz o Felisberto.Eu não...eu vim pela calada, deixei o meu pai sair para o trabalho e saí, em plena cama da minha mãe, na mesma cama onde durmo desde então.A cama de onde vos escrevo é a mesma na qual nasci, é a mesma em que durmo, a mesma em que me refugio nas horas tristes, a mesma que suporta o peso das bebedeiras, das noites mal dormidas, das tristezas, das horas dificeis...com jeito será leito final, cumprindo assim o verdadeiro designio de cama. Nela nascer, viver e morrer. Quero com isto dizer que sou caseiro, não fui de aviário como o meu maninho...nasci na Vista Alegre e nunca me senti triste por isso, ainda hoje ao passar olho a casa onde nasci, a janela de onde vi o mundo pela primeira vez, as escadas que aprendi a gatinhar e vadiar, a varanda da qual via os carros passar...
Amanhã, mais que eu, a minha mãe estará de parabéns porque lhe doeu mais a ela ter-me dado á luz do Verão do que a mim ao romper a carne e a soltar-lhe a dor, doeu-lhe mais a ela a minha transformação em homem que muitas preocupações e tristezas lhe deu do que ela a mim, pois a minha mãe nunca me desiludiu enquanto eu sempre a fui iludindo.
Amanhã, se passarem por ela podem dar os parabéns por um aniversário doloroso, ou então culpa-la de ter posto no mundo a besta que vos consome aqui, no café e onde quer que vos encontre. Por ter posto no mundo uma besta que no fundo e sem falsa modéstia até é bem mais calmo que o Saddam Hussein e que o Bin Laden, mas mais explosivo e mais brusco que Lázaro, o morto da Galileia ou mesmo S.Pedro.
Respirar fundo... e tentar sorrir um pouco. Respirar fundo... Arriscar-me-ia a dizer que não me sinto bem. Mas não, não quero antecipar-me a nada. Só espero que o dia de hoje continue a correr bem; no mínimo que seja como o de ontem ou até melhor.

domingo, 22 de julho de 2007

O pequeno eu


Sabíamos que avançaríamos noites adentro para estarmos ali todos sentados a cantar, falar, tocar viola. Havia um misto de determinação e desespero, cansaço e força, amor e ódio nos olhos de todos. Era tudo intenso demais, as sensações misturavam-se com gosto de montanha russa.
Saí do meu quarto para apanhar um pouco de ar. Desci as primeiras escadas e apoiei-me na grade da esplanada do meu avô. Diante de mim uma noite fria e escura, com ares de chuva que se parecia aproximar. Respirei fundo antes de acender o meu fiel companheiro, o cigarro ventil. E antes que pudesse dar conta, estava, mais uma vez, mergulhado nas árvores e nas pedras deste largo que me viu crescer ano após ano.
Como de costume, veio a melancolia, a saudade do que não sei, o gosto doce-ácido de ser cliente daquele lugar que tanto namorei e ainda namoro, por tanto tempo. Estas velhas árvores acompanharam-me por muitos anos. De miudo a rapaz, a homem e quiça assistirão á minha transformação em velho. De noivo de um sonho de felicidade a pai de toda a tristeza do mundo. De actor da minha vida de aldeia de Penafiel a morador da mais linda vila do mundo: Rio de Moinhos, aldeia velha...vila adolescente Rio de Moinhos, que encerra os meus mais guardados medos, que muitos dias me viu chorar por dentro.
E nesta nostalgia da minha tão solitária posição, saltei para um pensamento que transitava entre sedativo e aterrador. Está tudo a girar, pensei. Estas árvores que me acompanham, tão solenes, tão constantes, a olharem-me com seus olhos seculares, de firmes não têm nada e têm tudo. Estão a girar. E tão rápido que não há tempo de sair do lugar.As minhas mãos, que sempre me protegem do que é maior do que eu, estão a girar. Estas lágrimas que caem tão lentas e aflitas, estão mesmo a cair? Estão a girar. E todos aqueles que estão longe de mim, apertam de saudade o meu coração, estão a girar. E toda a dor, todo o amor, todo ardor que carrego em mim, estão em mim, estão a girar. Todas as lutas, as lástimas, as mágoas, os gritos que ficam no ar, até estes estão a girar.
Lembrei-me de quando era bem pequenito, não passava dos 7 anos, e todos os dias inventava um nome diferente para usar. O meu avô adorava. "Qual é o teu nome hoje, Armindo?", perguntava ele. "Não me chame Armindo", dizia o pequeno eu. "chame-me Marco Chagas", "Fernando Gomes", "Joaquim Santos". Eu acreditava no que estava a dizer, lembro-me bem da sensação. Eram os meus idolos, um no ciclismo, outro a marcar golos no Porto e outro nos rallies. A cada dia, eu era um, e via-me com cabelo, pele, altura, voz e jeito diferentes. A cada dia, eu era um.
E as árvores levaram-me ainda mais longe. Levaram-me ao recreio da primeira escola onde andei. Ao meu primeiro dia de aulas. A Dª Lurdes das bombas do Penedo da Pena a ensinar-me as letras e os numeros. Eu tinha 6 anos. Vi todas aquelas crianças, algumas choravam a plenos pulmões, outras riam juntas, outras mais velhas e já em classes adiantadas corriam para o abraço de professoras de anos anteriores. Todas saíram do pátio, eu fiquei. Não sabia onde estava, para onde iria, quanto tempo levaria. Foi a primeira vez que vi o mundo girar. O pátio ficou de recordação, as paredes saíram do lugar, não havia chão sob os meus pés. Mas não me lembro de sentir medo. Só havia a vertigem. Só havia o mundo a girar.
Girei então por todos os lugares por onde me enganei e me encontrei. Girei com a mesma vertigem dos meus 6 anos, só que o mundo é agora maior! E vi tanta gente a passar, e tão rápido, alguns nem me lembro do nome, outros cravados em brasa na minha mente e no meu coração. Vi um novo recreio, que mudou tanto. O recreio da Escola... As mil vezes em que estive aqui, passei por ele, e todas as esperanças e desesperanças que carregava comigo. Todas as perguntas que fiz a mim e aos outros, muitas sem qualquer palavra pronunciar. E aquela terrível impressão de que há algo no ar que tenho que, mas não consigo, agarrar. De que, por mais que faça projectos, artigos, divisões, estou a sabor do vento. Ou do tempo. Que nada nasce pronto e talvez nunca alcance este estado. Nada está pronto, nunca. Está tudo a girar.
E senti-me tão pequeno diante desse mundo que gira sem parar. Tão menor que aos meus 6 anos. E não me vou esquecer do medo que senti naquela hora, vontade de dizer ao mundo para parar que eu queria descer. Medo de tudo o que era esperado de mim. De navegador firme e inabalável que tinha de ser, do sábio vádio da vida, do poderoso sonhador, do ponderado aluno, do compreensivo amigo, do responsável filho e neto. Dos tantos que eu tinha que ser num só dia.
Mas não havia tempo para navegar nesse movimento. As árvores, as mães árvores, as deusas árvores já me diziam: não nos alcançamos. A velocidade é superior. O tempo é superior. O Tempo é Deus. É tudo tão transitório. "Tudo é esforço para alcançar o vento", já dizia o Rei Salomão. Só nos resta, ao final, a memória da pele e a memória da alma. Só nos resta o que fizemos às pessoas e o que permitimos que elas fizessem connosco. Só me resta o que senti quando cada um daqueles que passou por mim nesses giros do meu mundo me tocou. Só me resta o gosto do beijo, o cheiro do abraço, o ardor do estalo, o contacto da voz. Só me resta a paixão, o amor, as destemperanças e as tempestades.
Dali parece que, por alguns segundos, alcancei minha essência novamente. Lembrei-me dos três que perdi e como o tempo me ensinou. Da primeira que me avisou, "não posso mais, estou de partida", e da minha descrença, para encontrá-la no dia seguinte, e do meu choque, ao vê-la lá, ida embora para sempre, com um copo negro ao lado do seu lindo e pequeno corpo, de menina, aos 20 anos. Do segundo que me avisou, "não vás", e da minha teimosia, e do estampido do tiro que não matou, mas levou de nós para sempre, e do seu pedido, e ali, talvez ali, a minha dor fosse do tamanho do mundo, o meu mundo, tivesse parado de girar por um longo par de segundos.
Muita gente querida se foi, e com eles extensos pedaços do meu coração, mas os que ficaram encontraram e encontram amores do mesmo tamanho. E, às vezes, muitas vezes, encontraram também a incompreensão. É difícil entender a minha urgência, aquela urgência que tento mascarar de mil formas, mas que escapa de todas as máscaras. A urgência de quem não pode mais suportar a despedida sem que tudo seja dito e sentido. A urgência de quem já disse adeus definitivo e que sabe, o mundo está a girar. Essa é a minha essência, a urgência. O mundo, no final das contas, não tem nada de sólido. E quem sabe onde tudo vai parar daqui a pouco? E o que fica é tão pouco. Da para fazer uma lista na palma da mão.
E por ter que ser muitos, sei que o maior de todos os meus medos é não deixar claro quem realmente sou. Não, não deixo claro mesmo. Talvez nunca tenha deixado. No fim das contas eu fui apanhar ar, naquela noite, embuído do desespero de que alguém naquele café viesse até mim e dissesse, "eu sei quem és". Não com palavras é claro, poucas palavras ficam, mas com os braços estendidos e o peito oferecido. Eu atirar-me-ia com a urgência do último segundo e nele seria o mais feliz dos muitos eus. Mas só as árvores me deram abrigo. Então acabei o meu cigarro e voltei para casa. Literalmente. Era um café, era uma sala, algo parecido com uma mina. Era, então, uma sala de espelhos, às vezes um jardim, outras um labirinto. Ali gira tudo, mas constroem-se mundos.
E com o meu coração a bater no compasso da urgência estendi os braços, e ofereci o peito para o primeiro que vi.E faço sempre assim agora quando preciso.Passo o largo, observo as árvores, penso no que elas sabem e me dizem e entro na mina e ofereço-me ao primeiro sorriso.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Ausência...


Senti saudades deste lugar aqui.

Mas este lugar aqui nem percebeu minha ausência...

Nem a vai perceber no dia em que sozinho passarei mais um aniversário

não sei onde nem como...

A "mina" perde-se dentro de mim...

Até um destes dias, Mineiros

segunda-feira, 9 de julho de 2007

"Áqua" reconciliation



E ao quarto dia fez-se o sossego aparente durante a tarde.Aparente porque a calma e o sossego sentido aqui hoje de tarde contrastou obviamente com a agitação sentida nas anteriores tardes e noites.A "mina" volta a ser calma de tarde, o lugar de meditação, de confissão ao sossego e o convite á reconciliação com o corpo, degastado que foi estes dias.

Para muitos a festa foi na "mina".Para mim pelo menos foi, aliás, nem sequer vi o conjunto que ai esteve no sábado, preferi sem duvida o recanto e o calor da "mina" e o carinho que este exala, do que ir ver sei lá bem quem a cantar sei lá bem o quê.E quando dei por mim já era hora das vacas e da correria que estas provocam nos mais destemidos e nos menos também.Depois segue-se o arrefecimento dos corpos e o lago é alvo da peregrinação dos mais foliões que com sacas plásticas transportam a água tão necessária para uns e tão inutil noutros corpos.


Hoje também nem vi o conjunto que esteve para ai a cantar de tarde no coreto, preferi este espaço pelo tarde, fresco e escuro e observar a entrada de corpos cansados e gastos depois da euforia dos dias de festa.


E assim, entre mais um pessego e outro, escrevo na companhia do Kiev, a quem passo a responsabilidade de ir aqui colocando algumas coisas que não deixem morrer este espaço na minha ausência.Estamos aqui os dois no palanque, estando o olhar sobre a actividade na "mina".Parece que o Bruno se está a ver á rasca com a falta de garrafas de água, hoje a água das pedras vende-se bem, não fui á farmácia saber se o negócio do "gorosan" ou do "compensan" aumentou estes dias mas o mais provavél é que tenha havido um ligeiro aumento na venda dos produtos.Os corpos reconciliam-se hoje com a água, outros preferem a mini da sossega e depois a confirmação.


A festa já acabou e neste momento observo a Mina...não está cheia, mas está animada.O que a água faz...


Bom, penso que no fim-de-semana estarei cá para postar saudades...já alguém terá conseguido postar saudades de um espaço? Eu vou em busca das palavras e de mente aberta a tentar ver se descubro uma fórmula mágica que seja escrita e destilada e cujo o resultado final seja a saudade, da mina e dos mineiros.


Pena que a "mina" não tenha sido contemplada com um arco de iluminação cá dentro para a gente se lembrar que afinal a festa também era na rua...para meio entendedor esta frase transmite o teor confortável do espaço.


Ah, esqueci do pormenor caricato que se passou entre o lançamento das vacas...o Chico e o Drunfa a correr estrada da barragem abaixo a gritar "dá-lhe, dá-lhe" logo secundados por mim e o Juninho e foi ver gente, muita gente, ávida de ver pancada, a correr estrada a baixo a ver quem estava supostamente a sofrer consequências fisicas...e foi tão lindo, não havia nada, apenas nós a rir e ao berros a olhar para a curva da estrada lá ao fundo, onde já nem os olhos descobriam o horizonte e esse horizonte, á hora em que era não passava de uns escassos 200 mts...Diz-se que era a curva do Quim de Covelas!

domingo, 8 de julho de 2007

Para ti Jordão


Este texto hoje é inteiramente dedicado ao Jordão, ao chefe da "mina", o gerente do espaço.Faço-o porque ele merece e porque não faz sentido escrever na mina sem que se faça uma referência ao Jordão.

Ontem foi um dia dificil para o jordão, sabemos que a festa lhe traz recordações que em nada são felizes e como tal teremos que aceitar um comportamento que acaba por ser normal de um amigo em igual situação. Não é fácil e eu reconheço que até é dificil controlar a situação.Por isso hoje venho sair aqui em defesa do Bruno, não que ele tenha necessidade que o defendam, nada disso, mas tem necessidade de ser compreendido quando bebe e deriva entre o choro da recordação, do trauma e da saudade, e brinque e se abraçe aos amigos que sente lá bem dentro daquele coração que parece enorme, que não acaba.Ontem foi um dia desses.Entrei na "mina" á noite e já encontrei o Bruno de "rodas para o ar", ou seja, deu o exemplo melhor para se levar a festa como se deve levar, na boa e sem estrilhos.

Bruno, ontem abraçaste-me, teceste-me elogios pela criação deste espaço, mas Bruno, o que me move a escrever isto não são os teus elogios, é sim a amizade que eu e todos quantos te conhecem nutrem por ti e pela Beta.Ontem estavamos aí porque estavas aí, e sabemos que embora estejas a trabalhar para ti, também ficas feliz em a grande maioria dos "mineiros" serem pessoas que no fundo são tuas amigas, vão para te ver, falar contigo, usufruir da tua boa disposição, da tua infindável paciência, em suma, do que representas.

Bruno, ontem deitaste-te no meu colo a chorar, porque a saudade doeu e lembraste-te do que nunca vais esquecer, mas a hora era de festa, e quando te disse e obriguei a abrir os olhos para veres a quantidade de amigos que tinhas ali no teu café, que vão ali por ti, pela beta, reconheço que fui frio e bruto nas palavras que te disse, mas sei que te foram directas ao coração e pús-te a pé, saltamos logo juntos daquele palanque para os ombros da Telma e da Alcina que com uma paciência do diabo, aturavam o Miguelito que na altura lhes jurou amizade eterna.Sorrimos, viemos ver as vacas, beber mais umas bejecas, tu das tuas, eu e o Kiev das nossas...mas mesmo de pessego estavamos envolvidos no espirito porque sabemos chegar lá...né Kiev?

Jordão, amigo, não entendas esta carta como um acto de sabujice, escrevo porque quero e porque me apetece mas acima de tudo porque mereces o nosso carinho e amizade porque, todos os dias estás a olhar por cada um de nós, todos os dias dás de ti a qualquer "mineiro" que esteja em baixo, triste e deprimido.Porque é que achas que na minha depressão escolhi a "mina" para descansar, pensar, estar? Porque ai sou acarinhado, tomas conta de mim quando eu já não sou capaz de assumir o meu próprio controle, nunca me abandonaste bêbado numa mesa virando-me as costas sem conversar comigo e sem saber a forma exacta de puderes ajudar tendo como objectivo o eu proprio bem.E fazes isso a mim e fazes aos outros, porque te importas.

Jordão, se de vez enquando beberes uns copos ficares alegre, não tenhas medo em incomodar-nos nem em perturbar-nos porque também somos teus amigos e acima de tudo tambem existimos para te ampararmos nos momentos dificeis.

E logo voltamos a beber pessegos, zé...não te preocupes porque vamos atingir os nossos niveis de espiritualidade como os outros, já sabes.

sábado, 7 de julho de 2007

As cornetas


Chegou a festa e como sempre a "mina" encheu-se de "mineiros" desesperados por regarem as gargantas ávidas de uma cerveja fresquinha ou um shoot para acalmar os ânimos.As noites em dias de festa tem um encanto especial e depois por magia, a malta junta-se no final das vacas de fogo á sua porta enquanto a grade de acesso se vai fechando sob pena de vir a guarda e encontrar "mineiros" em plena actividade.Aparecem de todos os cantos o pessoal conotado com a "Mina", alguns já em adiantado estado de composição (não é Albano?).


Por fim reina o silêncio no largo que serve de palco a toda esta agitação mágica e então o sono, de forma pesada e sem piedade toma-nos e levamos ao seu reino, proporcionando-nos um sono profundo, levando os corpos gastos e cansados pelos excessos do que representa a festa para um descanso que poderias ser quase eterno até ao meio-dia.


Mas eis que voltam as putas das cornetas do Couto de Milhundos a debitar um som estridente que além de me irritar, consome a alma.Puta que as pariu.Desculpem o desabafo, mas não há paciência para as musicas que dali das cornetas são atiradas contra as minhas janelas, contra as paredes que compõem este belo local.E assim o sossego matinal perde-se.Até entendo que há a necessidade de a comissão de festas cumprir os seus cumprimissos publicitários, mas, não poderia ser com uma aparelhegem melhor? ao menos garantiam qualidade.


Uma vez disse que não me importava que o exercito me emprestasse um missil e 2 homens para apoio de fogo de artilharia.Podem não acreditar mas não seria para o estádio da Luz que viraria a peça de fogo de artilharia (até poderia ser um obus), seria sim para aquele poste que, parece orgulhoso de ostentar as putas das cornetas. Refugio-me no meu quarto, ja acordado, mas não há hipotese, as cornetas irritam-me.Para onde ir então? Pois claro, afogar magoas e descarregar as minhas diarreias mentais a um dos computadores prostitutos (andam de mão em mão) da "Mina".


Aqui , na "mina" ao menos ouço musicas que algumas até não as curto, mas pelo menos há qualidade de som e os decibeis não me ferem os timpanos nem as membranas auriculares.Pelo menos aqui as cornetas são de qualidade e o gira discos tem a agulha em termos e as cabeças do leitor de cassetes estão em bom estado.


Só espero que um dia o bruno não venha a optar por um jogo de cornetas iguais ás do Couto de milhundos para dar aquele som de fundo ao café, porque ai não pedirei ao Exército um missil ou uma peça de artilharia, mas sim aos EUA que venham cá com uma bomba atómica e rebente com a "mina".


É que nem nas escadas lá fora se está bem, muito menos encostado ás paredes da casa do Pai dos Pobres...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Pedaços



O Vitor e o João já partiram hoje para o Luxemburgo...
Queria ter lá ido despedir-me deles, mas faltaram-me as forças e a coragem de me levantar ás 6 da manhã para lhes dar aquele abraço. Não as forças para ir ter com eles aqui ao largo , mas para vir de volta a casa.

O medo de me deixar embalar pelo sitio que mais visito quando cá estou rivaliza com o sitio que mais visito também na minha mente, esquecendo que tenho que voltar para uma vida que não é a minha mas que tenho vivido tentando encontrar-me com o que era e por isso... Perdoai-me amigos por não vos dizer adeus mas estarei cá para vos abraçar no vosso regresso.

Acordo ás 13 horas, levanto-me e mais uma vez solto o habitual "puta que pariu, que merda de vida" e dirijo-me á casa de banho mas nem me apetece tomar banho hoje, talvez vá daqui a pouco e desfazer a barba, quando fizer a digestão e a medicação já me deixar pensar de forma mais lúcida. Lavo a cara, reconheço-me ao espelho e isso basta-me, já tive um aspecto pior.

Bato a porta degavar, olho só mais uma vez, nem a fecho à chave e deixo as minhas pernas caminharem em direcção à vida. Olho um segundo para trás e verifico se a porta está fechada.
Enquanto caminho sinto o peso dos meus passos na tarde deserta. O calor do dia ainda cobre tudo e o sol afasta as gentes da rua. Espero o meu carrasco na "mina" de tantas alegrias. Olho as pedras no chão ainda adormecidas pela noite mas com o interior cheio de alegria de festas passadas e já preparadas para receberem mais uma este fim-de-semana. O calor empurra-me para dentro de mim enquanto vejo o ar a sair em nuvens da minha boca, ou é o fumo do cigarro que vou fumando enquanto os meus passos trazem ainda o meu corpo adormecido por trilhos que já conhecem de cor. Por momentos desejo que venha o frio, e me deixe aqui plantado, congelado num dos bancos do largo como uma estátua, eterno espectador de um teatro inesquecivel.

Mas a lucidez acaba por vir e eu dando um último olhar ao mundo que se me desaparece entro na viagem, na minha viagem. Com o andar vou vendo o sol a surgir pelo branco para derreter o que a noite tornou quieto. Um nevoeiro acompanha-me até á "mina". Enquanto viajo entram reticentes "mineiros"que viajam para a sua luta diária ou apenas fazem de uma curta estadia menor aqui no café uma das suas lutas diárias.

Tomo um café, peço outro a seguir á Beta, que com muita paciência lá me vai atendendo café a café.Eu adoro café e então quando tomo dois quase seguidos estes trazem-me de volta o mundo que abandonei ao entrar no estado que entrei. Trazem-me o prazer de quando era o gajo que apenas sossegava ao ouvir a "Black" dos Pearl Jam e da qual fiz o meu hino de vida e estes cafés ajudam, consomem-me o pensamento. O meu desalento e tristeza deixei-os lá atrás, lá fora, ali no passeio a ver se se cansam na minha espera e se vão embora como quem diz: " não vens? vai-te foder que nós já vamos".

Já na "mina" e novamente na segura solidão da penumbra que o palanque me oferece. Aqui sem nunca o ter descoberto, descubri o local ideal para estar...parece que foi feito para mim, não sei...

Gostava e até me apetece ir ver o rio, ficar ali sentado enquanto ele vai escorrendo a meu lado. Não o faço, por trazer a memória do que já não é meu. O nevoeiro solidário que o meu cigarro vai brotando fecha a cortina para que não ceda à tentação. Em criança sonhava com o frio, para que viesse sobre o Tamega e o congelasse. Correria então por ele acima para chegar de novo ao cais que no cimo do rio me esparava. Agora sei-o impossivel e por isso me amargura e entristece olhar para ele quando vindo da outra margem de lá volto para à casa que não é a minha mas dos velhos avós já cansados.

Depois quando as saudades já me arderem no peito voltarei ao seu encontro, talvez a Ribeira ou a Barco do Souto e olhando a água lanço fora as lágrimas que nao me interessam e este que é o meu sonho faz com que a proxima vez que lá volte seja apenas para sorrir, nadar ou então em velhinho, pescar.

Por agora prefiro a escuridão e a penumbra da "mina" e a companhia do Kiev que agora vem de olhos baços e tristes sentar-se junto a mim.


Na Foto: as ninas do palanque

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Vem ai a festa


Passou o fim-de-semana, foi cansativo, p'lo menos para os senhores da foto e restantes colegas musicos.Foram 4 dias sempre em concertos nos quais, claro, estivemos ao melhor nivel.


Para o próximo fim-de-semana ja não estarão cá o Vitor e o João, estarão em digressão até ao Luxemburgo com concertos agendados lá e em Paris.Fico contente por eles...ja fui uma vez e sinceramente, apesar de me terem convidado a ir senti que deveria recusar porque não estou em condições, e depois porque indo o Vitor em minha vez pode ser que ele ainda possa levar a Tuba mais a sério.


Eles não estão, mas estaremos nós, Mineiros do costume, a abrir o café e a fecha-lo, a beber ali uns copos, a ver pessoal que entra pela primeira vez na mina e abrir a boca de espanto ao ver a familia que se junta.Engraçado...reparem no espanto de quem pela 1ª vez entra na "mina".


O Conforto lembra-me um café que frequentava no Porto, a sério, creio que de vez enquando falo nele.O café Luso na praça Carlos Alberto.Era assim um espaço como agora se transforma a "mina".Lá haviam pessoas e só isso mesmo, eu entrava e sentava-me numa mesa, passado um pouco vinha um medico do Sto Antonio e sentava-se a falar de qualquer coisa, depois vinha um estudante de belas artes e sem nos conhecermos de lado algum ja eramos 3 na mesa a falar de coisas do nada e do tudo, depois vinha um chulo ou puta, doutor ou engenheiro, trolha ou motorista, mas ali, todos eram da mesma massa, todos queriam aproveitar ao maximo aqueles minutos em que estar no café era mais que simplesmente estar.Era estar e aprender com isso.


Vem ai a festa e a "mina" lá vai estar e nós vamos ver o Bruno, domingo á noite, já bem f****** a correr atrás da vaca de fogo, pena o Enzo não ver o pai a fazer aquelas figuras, mas vemos nós e vamos também atrás do Jordão.

domingo, 1 de julho de 2007

Sentado ao balcão


Hoje dei por mim a pensar, enquanto estava sentado ao balcão a tomar um café depois do jantar, que não deixa de ser engraçado o facto de se dizer que na "Mina" não se formam grupos (eu também o garanto num texto atrás qualquer) quando num verdadeiro olhar á distância percebo que de facto há grupos, mas todos eles formam a "mina". Não me refiro a grupos isolados ou exluídos, mas sim aqueles grupos de pessoas entre si mais chegadas e amigas, digamos assim.

Há o grupo do pessoal do futebol, da banda, o das miúdas crescidas, das miúdas , do pessoal lá de cima do "palanque"...grupos, grupos que se entrelaçam entre si, grupos que se adivinham antes de se entrar no café, mas todos eles identificados. Pessoas que interligam grupos, pessoas que se juntam, se falam, partilham momentos, risos, partilham quase tudo.Claro que seria impossivel juntar todos os "mineiros" numa só mesa e como tal, eles dividem-se pelas várias mesas, mas as cadeiras...essas dançam de mesa para mesa, porque se está aqui com este grupo com a qual mantemos algo em comum, depois vai-se a outro onde também deixamos algo nosso, depois ainda outro, e assim a "mina" se torna num grande grupo.

A "Mina" é nossa, somos nós, "mineiros" que a fazemos, que a tornamos cada vez mais o nosso espaço diário ou semanal ou a colocámos negra, nós que a iluminámos com a presença de cada um de nós ou calamo-la...

Este texto está fraco, mas é a minha visão do que vi hoje desde o balcão, sem estar com nenhum dos grupos com os quais costumo estar de forma particular mas ter estado inserido no grande grupo...enquanto tomava café e bebia uma água, sozinho e absorvido pelo que via, sentado ao balcão.
P.S. Estou cansado fisicamente...nem sabia bem o que escrever e do nada e do cansaço se fez este texto.