terça-feira, 26 de junho de 2007

Segunda-feira


Ontem entrei no café como sempre...Vindo da rua, entrando debaixo do arco de telhas fui-me apercebendo que este estava já quase vazio, ou vazio.E lá vinha eu com a viola ás costas, preparado para o que desse e viesse e fiquei estarrecido quando não descobri as caras de quem esperava ver.Cheguei demasiado tarde e como tinha prometido estar junto a uma amiga que solicitou a minha presença porque se estava a sentir mal, fiquei mesmo desolado.
Ao balcão o Kiev sozinho acompanhado da sua solidão e da sua habitual tristeza...quem o viu e quem o vê.Que fazer? pensei...
Fiquei sentado a ver o fumo do cigarro subir e desaparecer mais acima, misturando-se com o ar respirável.Sempre que a porta se abre entra gente e sai fumo, esvoaça porta fora.Que tédio, penso eu, as segundas-feiras são uma seca tremenda, anda tudo a descansar dos dias cansativos dos dias que supostamente seriam para descansar.Senti-me deslocado, triste...prometi estar cá com a viola porque me pediram. Desculpa miuda, falhei-te e tu nunca me falhaste desde que caí.
Vim juntar-me ao Kiev, falar com ele, saber o que o mudou tanto, saber quem lhe mudou as feições que antes eram alegres e agora se traduzem em tristeza.Talvez lhe fizesse falta aqui com ele o Miguelito.Bah, que se lixe.Saiam 2 Safari para animar, e depois saltem mais 2 que isso não faz mal e nem chateia.
A noite termina de forma que considero anormal, eu a ficar sozinho sentado nas escadas ao lado do café, procurando desenhar o caminho pelo qual meus passos haveriam de seguir para me conduzirem a casa.Por acaso arranjei boleia para os 50 mts que me distanciam da mina até ao repouso dos meus restos mortais que ainda respiram.
A Mina não tendo mineiros, os mineiros do costume, fica tipo as minas do Pejão, negras, tristes, abandonadas mas a paz e a tranquilidade mantêm-se.
Aqui curam-se doenças e poucos sabem, aqui a solidão esvai-se na troca de olhares com alguém, aqui as depressões não contam para nada porque como diz o Jorge Palma " não há prisões nem hospitais e cada um tem de tratar das suas nódoas negras sentimentais".Poder-se-á aplicar aqui a letra.
O café de sempre ficou ontem para trás...até o Bruno foi embora mais cedo que os mineiros...

3 comentários:

Anônimo disse...

É verdade, as paredes da Mina sabem mts segredos dos mineiros. Escondem mágoas mas também nos dá alegrias, é lá que as nossas gargalhadas sãolivres! O que seria de nós sem a nossa Mina, gerente e sub-gerentes?

Kiev disse...

É verdade o que dizes, a Mina é um abrigo reconfortante onde encontramos feições amigas que nos acolhem.

A minha tristeza e falta de ânimo mantem-se mas agradeço a tua preocupação e a atenção que me deste na Segunda-feira.

És "simplesmente" um AMIGO!

Abraço e parabens pela ideia do blog...

Anônimo disse...

Numa coisa têm todos razão:
A "MINA" sabe imensos segredos de quase toda a gente, senão é de toda mesmo...
Não sei porque será...Mas todos desabafam...E muita coisa aconteceu,acontece e irá acontecer na "MINA"...
continua assim a postar...a sério mesmo...
Os teus textos são muito bons!!!:):):)