segunda-feira, 23 de julho de 2007

Amanhã

Coyote em Jan de 75


Estado do tempo: cinzento
Estado da alma: fria
Corpo: com resistência
Assitencia: alguns mineiros que ainda perdem tempo a ler diarreias mentais
O que eu penso sobre isto: isto está a correr mal!
O que eu tento pensar ainda: isto vai melhorar!


Quando amanhã forem 08:30 da manhã, farão 33 anos que a minha mãe deu á luz esta besta que vos escreve e vos aborrece com esta merda de blog que existe apenas por devoção a um espaço que eu julgo que me mereçe.Não merece pior nem melhor que eu, apenas me merece também. Quando essa hora chegar o despertador irá tocar e eu vou ligar á minha mãe para lhe lembrar as dores que ela sentiu quando logo pela manhã desse dia 24 de Julho de 74 eu senti a vontade de sair cedo de dentro dela.Sentia que a ditadura tinha acabado e que o Salazar já se havia retirado e escolhia assim nascer para ser livre, ser livre de escrever e de falar, ser livre pensar e de actuar, sem censura nem Pides nem medo a Caxias nem ao raio que os partam a esses tempos já idos.
Não consigo imaginar a dor que causei nessa manhã, nesse dia, mas acredito que a dor de o ventre a ser rasgado por uma peça como eu não deve ser lá muito bom.O que vale é que nasci fraquito e pequenito, saí "pelo próprio pé". Não dei sinais que viria, já aí fui avesso a horários e cumprimissos. Vim sem avisar e sem combinar o que ainda hoje se mantêm em mim.Ou quase se mantêm, porque os planos que faço esvaiem-se sempre daí que tenha voltado á versão original e não prometa nem planeie nada, o que acontece será bom, ou mau, depende da forma com que o olhe.
O meu irmão, certinho e tal lá foi dando uns biqueiros a anunciar em 72 que a hora dele estava a chegar.Lá foi a mãe para o Hospital de Paredes dar á luz o Felisberto.Eu não...eu vim pela calada, deixei o meu pai sair para o trabalho e saí, em plena cama da minha mãe, na mesma cama onde durmo desde então.A cama de onde vos escrevo é a mesma na qual nasci, é a mesma em que durmo, a mesma em que me refugio nas horas tristes, a mesma que suporta o peso das bebedeiras, das noites mal dormidas, das tristezas, das horas dificeis...com jeito será leito final, cumprindo assim o verdadeiro designio de cama. Nela nascer, viver e morrer. Quero com isto dizer que sou caseiro, não fui de aviário como o meu maninho...nasci na Vista Alegre e nunca me senti triste por isso, ainda hoje ao passar olho a casa onde nasci, a janela de onde vi o mundo pela primeira vez, as escadas que aprendi a gatinhar e vadiar, a varanda da qual via os carros passar...
Amanhã, mais que eu, a minha mãe estará de parabéns porque lhe doeu mais a ela ter-me dado á luz do Verão do que a mim ao romper a carne e a soltar-lhe a dor, doeu-lhe mais a ela a minha transformação em homem que muitas preocupações e tristezas lhe deu do que ela a mim, pois a minha mãe nunca me desiludiu enquanto eu sempre a fui iludindo.
Amanhã, se passarem por ela podem dar os parabéns por um aniversário doloroso, ou então culpa-la de ter posto no mundo a besta que vos consome aqui, no café e onde quer que vos encontre. Por ter posto no mundo uma besta que no fundo e sem falsa modéstia até é bem mais calmo que o Saddam Hussein e que o Bin Laden, mas mais explosivo e mais brusco que Lázaro, o morto da Galileia ou mesmo S.Pedro.
Respirar fundo... e tentar sorrir um pouco. Respirar fundo... Arriscar-me-ia a dizer que não me sinto bem. Mas não, não quero antecipar-me a nada. Só espero que o dia de hoje continue a correr bem; no mínimo que seja como o de ontem ou até melhor.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sim, farão amanhã 33 anos que nasceu a mais bela das criaturas. Não a besta que escreves, mas um homem cujo rosto foi feito para sorrir mas que ainda não aprendeu a fazê-lo na totalidade.
Será um dia especial. Será um dia em que todos te irão dirigir palavras carinhosas, irão lembrar-te o quão importante és para os que te rodeiam.
Talvez sintas que não estás sozinho amanhã, ou talvez sintas. Sei que irás pensar em coisas que lembram saudade, que olharás para trás com um olhar triste. Mas amanhã não haverá lugar para o que já passou, mas sim para o que virá.
Atrevo-me mesmo a dizer que amanhã irás dar-me mais um pedaço de ti para eu colocar na caixa, junto aos outros pedaços. Amanhã irei pedir-te um presente. Irei pedir-te um Sorriso nesse rosto que foi feito para sorrir, e que ilumina outros sorrisos e aquece outros corações...

Amanhã quero um sorriso.

C.I.

Anônimo disse...

Já passou este "amanhã" mas temos de concordar que até foi um dia em cheio (tirando uns ataques de asma, algum nevoeiro (humm), um sino engasgado pela nossa presença e uns castigos passageiros, eheh) passado junto de muitos amigos e com a importante presença da tua mãe que, sem dúvida, está também de parabéns. E está de Parabéns não porque deu à luz uma "besta" mas sim um dos seres mais especiais que existem no Planeta Terra (e talvez arredores... talvez porque nunca conheci um E.T. pelo que não posso dizer se são mais ou menos especiais que tu, lol).

Isto tudo para te dizer que a tua presença é muito importante na vida dos teus amigos, disso podes ter a certeza! E quando esta presença é acompanhada por sorrisos e gargalhadas, ainda melhor!!

E agora... bola para a frente!!!

Bjinhos grandes

T.P.

Kiev disse...

Boas carissimo,
Fizeste anos e de prenda tiveste-me na casa da maezinha a mamar uns pesseguinhos :).. bem bom!

Ja te dei os parabens e nao vou repetir-me nem te vou bater um coro de elogios. Isso nao e necessario entre nos, ja nos conhecemos ha muito e sabemos bem as bestas que aparelhamos.

Mas pro ano e que vai ser! Mau e se ainda ando a pesseguinhos! Espero xusgar a tua pala e nao te dou prenda nenhuma a nao ser a minha presença e nao digas a ninguem que vais daqui :)

P.S.
Este texto nao tem acentuaçao porque a porcaria do pc nao quer e nao por falha minha (pelo menos desta vez)

Aquele abraço e volta rapido jokita